Início Santarem Nélio diz que situação de refugiados está ficando ‘insustentável’; governo busca parcerias

Nélio diz que situação de refugiados está ficando ‘insustentável’; governo busca parcerias

Novos refugiados indígenas venezuelanos estão chegando a Santarém, no oeste do Pará, a cada semana. Inicialmente, o primeiro grupo tinha 25 pessoas, mas a quantidade passou para 57 nesta quinta-feira (19), segundo informou a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semtras). Para amenizar esta situação no município, o governo municipal está buscando parcerias nas esferas estadual e federal.

O prefeito Nélio Aguiar informou que o principal apoio é quanto a recursos financeiros para custear os serviços prestados aos refugiados, pois Santarém não está tendo condições de abrigar tantos venezuelanos.

“Está ficando uma situação totalmente imprevisível. Estamos caminhando para momento que está ficando insustentável para o município sozinho assumir essa responsabilidade”, ressaltou.

As estratégias de assistência social mudam a cada semana. Como o Centro de Formação Franciscana, que é um alojamento, já atingiu a lotação máxima de 30 pessoas, e é crescente a chegada de novos refugiados, o governo estuda a possibilidade de encontrar um novo espaço que comporte essas pessoas, já que o município não tem um abrigo especializado para estas situações. “Ou você busca um abrigo maior, ou você mantém essas pessoas nesse no centro e busca um segundo abrigo”, disse Nélio.

Espaço provisório

Desde o dia 3 de outubro os grupos que chegam ao município são encaminhados ao Centro de Centro de Formação Franciscana. O espaço foi cedido por um mês e uma rede de acolhimento provisório está oferendo assistência nas áreas da alimentação, moradia, saúde, assistência psicossocial e serviços públicos.

No alojamento, vivem bebês, crianças, adolescentes, adultos e até idosos. Os refugiados, em sua maioria, pertencem a etnia Warao, falam espanhol e quase não dominam a língua portuguesa. Eles afirmam que querem ficar na cidade de forma permanente. A Diocese de Santarém diz que é necessário um maior empenho do governo que a assistência não fique só no voluntariado.

Uma das dificuldades enfrentadas pelos órgãos que acompanham os refugiados é o fator cultural da alimentação. Por serem naturais de área de alagados, a alimentação é a base de peixes, frango, algumas massas derivadas do trigo e algumas frutas. “A questão da alimentação a gente tem que respeitar, não adianta a gente levar comida que eles não comem”, enfatizou o cientista social da Semtras, Pedro Neinberg.

Chegada do primeiro grupo

Os indígenas venezuelanos chegaram a Santarém na madrugada do dia 28 de setembro e ficaram na praça da Bandeira, perto da igreja Matriz. Eles foram atendidos pelo Conselho Tutelar, que deram encaminhamento aos órgãos ligados aos indígenas da cidade. Depois os indígenas foram levados de ônibus até Centro POP, espaço que acolhe moradores em situação de rua, onde receberam alimentação, tomaram banho e lavaram as roupas.

Depois, o grupo recebeu hospedagem em uma igreja evangélica de Santarém, além de atendimentos médicos de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, por meio do projeto “Consultório na Rua”. Eles passaram por avalição individual. Foi verificado o peso das crianças, a situação vacinal e pressão arterial dos adultos e a parte odontológica. No dia 3 de outubro, foram alojados no Centro de Formação Franciscana.

Fluxo migratório

Por ser uma cidade estratégica, onde o acesso pode se dar por rodovias, rios e aeronaves, Santarém tem se tornado parte de um fluxo migratório. Geralmente novos grupos vêm de Manaus, passam pela região, ficam ou seguem viagem para Belém. Os órgãos que estão cuidando dessas pessoas ficam sabendo da chegada de novos grupos por meio de informações repassadas pela população, ou os próprios refugiados chegam ao alojamento por conta própria.

Pedidos de refúgio

O agravamento da crise econômica, a repressão e o aumento da violência na Venezuela tem feito com que um número cada vez maior de pessoas deixe o país. O Panamá, o Equador e o Chile têm sido principal destino, mas o Brasil também está entre os países procurados. O número de pedidos de refúgios deste ano é mais do que o dobro do que o registrado no ano passado, segundo dados do Ministério da Justiça.

De acordo com o levantamento, de janeiro até a primeira semana de maio deste ano foram registradas 8.231 solicitações. Somente entre o final de março e o início de maio de 2017 foram 5.436. Durante todo o ano de 2016 foram 3.375 pedidos.

O refúgio é um direito de estrangeiros garantido por uma convenção da ONU. Segundo o ministério, o refúgio pode ser solicitado por “qualquer estrangeiro que possua fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, opinião pública, nacionalidade ou por pertencer ao grupo social específico e também por aqueles que tenham sido obrigados a deixar seu país de origem devido a uma grave e generalizada violação de direitos humanos”.

Fonte:G1
Foto: Geovane Brito/G1

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